Mercado de Trabalho

A falência da Lingua Portuguesa nos adolescentes

Luiz Henrique Quemel

Especial para o Se Liga Aqui 

       

Como fasso para ser um profissional de sucesso? Poço participar do processo de estágio? As duas orações não fazem parte de auguma obra de ficção, mas de tópicos postados em foruns de informática por adolescentes aspirantes às carreiras de tecnologia da informação. A maioria tem aver com orientação vocassional, mas grande parte está relacionada com informação proficional.

Os especialistas na Última Flor do Lácio são unânimes: é preciso aperfeiçoar as habilidades de comunicação ainda no ensino médio. Esperar para descobrir isso num estágio ou prova pode depor contra a imagem do estudante, por mais competente que ele seja nas habilidades técnico-instrumentais.

Foi o que aconteceu com Eliezer (nome fictício), estagiário de tecnologia da informação (TI) acionado para resolver um problema no computador do departamento de comunicação de certa empresa. A questão era simples: recuperar o arquivo “situacao_2007.doc” que havia sido apagado. Quando renomeou o novo arquivo, ninguém mais conseguiu achar o documento no servidor. O aluno trocou a letra “s” por um “c”. Fora a vergonha, a situação do aprendiz não se alterou. Apesar do deslize, sua competência técnica como estagiário de informática não foi questionada. O estudante de computação, que pediu para não ser identificado, alegou pressa na digitação e que nem tinha lido direito a ficha de atendimento. Pressa é a desculpa mais comum nesse tipo de erro. Pela posição das letras no teclado, a justificativa não consegue convencer.

Segundo a editora de opinião do jornal Correio Braziliense, Dad Squarisi, são duas questões distintas. Uma é a comunicação em ambientes virtuais, onde escrever “blz” e “naum” não compromete a imagem do profissional. “A nova forma de comunicação é permitida na internet, mas não pode extrapolar para o mundo real”, diz a professora.

A outra questão está relacionada a ortografia. Escrever “vocassional” ao invés de vocacional não é problema de pressa ao digitar, mas de desconhecimento da grafia. A professora aconselha muita leitura para superar essa deficiência. “Quando se tem o hábito de leitura, fica muito mais fácil saber a forma correta das palavras”, afirma a jornalista.

Doutor em lingüística, Cristovão Tezza afirma que a grafia incorreta é um mal menor diante dos outros problemas relacionados à língua portuguesa. “Escrever casa com ‘z’ pode ser resolvido com uma consulta ao dicionário ou por alteração da norma”, enfatiza o professor. A deficiência, segundo o autor, está mais relacionada à expressão subjetiva das palavras, isto é, à concatenação e à exposição lógica das idéias. “Penso, logo escrevo” seria a solução do problema lingüístico se Renê Descartes, o filósofo francês, pudesse opinar.

A capacidade de pensar antes do ato de escrever pode, inclusive, evitar que o corretor ortográfico do processador de texto imponha um erro pior do que aquele que se propõe a combater.

Seja qual for a postura adotada, os futuros profissionais não podem descuidar dos processos comunicacionais, até porque em muitas situações você não terá uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão.

Por falar em impressão, a que deve ter ficado é a má, se o leitor permanecer apenas no primeiro parágrafo do texto. Algumas palavras foram grafadas de forma incorreta, justamente para chamar a atenção e alertar para o constrangimento da situação. Se você não percebeu o problema, está na hora de ter como companhia o Aurélio.

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Computação e Mercado de Trabalho

Profissões ligadas à computação e informática estão entre as mais disputadas nos vestibulares. No entanto, o glamour que povoa o imaginário da maioria dos candidatos carece de vocação

 

Luiz Henrique Quemel

Especial para o Se Liga Aqui

 

Não é fácil ter 17 anos, principalmente quando a idade coincide com o 3º ano do Ensino Médio. E neste momento em que se aproxima o vestibular, que os jovens devem optar por uma profissão. Alguns confundem aptidão com vocação, o que torna mais difícil ainda o caminho. “Paso (sic!) o dia inteiro na frente do computador, não sei o que quero cursar, mas vai ser algo em tecnologia”, diz Phanter, participante de um fórum de informática.

Com um português sofrível, cursando ainda o Ensino Médio e tendo entre 14 e 17 anos, é esse o perfil da maior parte dos aspirantes aos cursos de computação e informática. Alguns não sabem nem diferenciar uma da outra. Identificam apenas o glamour do mercado de trabalho em tecnologia da informação. Falta-lhes muita informação e principalmente orientação vocacional. Foi pensando nesse grande mercado dos indecisos que a Universidade Católica de Brasília (UCB) criou o Programa de Orientação Vocacional (POP). Durante seis sábados os inscritos participam de várias oficinas que buscam orientar os candidatos quanto a melhor escolha profissional. Em abril foi realizada a 1ª Semana POP, onde cerca de 4 mil alunos de várias escolas, entre públicas e privadas, puderam conhecer no campus I em Taguatinga os cursos que a entidade oferece. A iniciativa teve como guias os próprios alunos de graduação.

“Acho a semana bem bacana porque temos quase a mesma linguagem dos alunos que estão chegando e por isso a comunicação se tornar melhor”, sentencia Odára Umbelino, estudante do curso de Sistemas de Informação que recebeu um grupo de alunos. Quanto aos salários, a desinformação é de ambos os lados, pois a monitora acredita que remunerações de cerca de 10 mil reais é apenas para quem possue mais de 20 anos de experiência. No entanto, um perito criminal da Polícia Federal, área de Computação Científica, recebe um salário inicial de R$ 11 mil.

A iniciativa de marketing foi aprovada pela Orientadora educacional do Colégio Certo, Alice Flávia Bezerra Lima. “O mercado de trabalho oferece muitas profissões, mas o jovem não tem maturidade para definir qual caminho seguir”, diz a ex-aluna da instituição que acompanhou um grupo de alunos. O publicitário e jornalista José Roberto Whitaker Penteado é mais flexível em sua visão. “Ninguém decide nada para o resto de sua vida aos 17 anos - nem carreira, nem amores, nem preferências políticas e intelectuais”, assevera o autor de Cartas a um jovem indeciso. No livro, Whitaker defende a tese de que a indecisão, em todas as áreas, é uma condição enriquecedora da pós-modernidade.

Seja qual for a forma encontrada para os indecisos, informação profissional e orientação vocacional ainda fazem parte do melhor conjunto de estratégias que valem a pena serem implementadas.

 

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